As marcas vivas do barro: Ancestralidade e olhar decolonial na cerâmica mediterrânea de València e afro-indígena do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29147/datjournal.v10i3.1076

Palavras-chave:

Cerâmica, Ancestralidade, Decolonialidade, Multiculturalidade

Resumo

Este artigo explora a cerâmica como prática ancestral e contemporânea que conecta experiências históricas e culturais entre Valência e Brasil, a partir de uma leitura decolonial voltada para a visibilização de saberes e memórias subalternas. Por meio da análise da cerâmica valenciana —com sua herança andalusí e mediterrânea— e das produções brasileiras —marcadas pela confluência de tradições indígenas, africanas e europeias—, evidencia-se o papel do barro como arquivo de resistências e mestiçagens. A perspectiva decolonial proposta concebe a ancestralidade como um processo vivo de ressignificação cultural, capaz de questionar a homogeneização imposta pelos relatos eurocêntricos. Além disso, enfatiza-se o potencial pedagógico da cerâmica para construir imaginários críticos, reconhecendo na diversidade cultural um caminho para o enriquecimento, a restituição histórica e a transformação social.

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Biografia do Autor

Daniel Tomàs Marquina, Universitat Politècnica de València

Artista, pesquisador e professor na Universitat Politècnica de València (UPV). Doutor em Arte: Produção e Pesquisa (Cum Laude), desenvolve trabalhos na intersecção entre cerâmica, escultura, som e processos participativos no espaço urbano. Sua prática combina materialidades tradicionais e tecnologias acessíveis, explorando a arte como dispositivo crítico, sensível e comunitário. Participa de projetos interdisciplinares e iniciativas colaborativas em contextos internacionais, conectando pesquisa artística e reflexão social. Sua investigação se orienta pela criação como forma de conhecimento, buscando ativar memória, presença e novos modos de habitar o território contemporâneo.

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Publicado

2026-01-29

Como Citar

Marquina, D. T. (2026). As marcas vivas do barro: Ancestralidade e olhar decolonial na cerâmica mediterrânea de València e afro-indígena do Brasil. DAT Journal, 10(3), 53–74. https://doi.org/10.29147/datjournal.v10i3.1076